Ouvi falar deles há alguns meses, mas só recentemente pude conhecer ao vivo. O Le Pop UP não é um restaurante comum e vou explicar o motivo.
Para começar, o lugar é administrado pela empresa Les Cuistots Migrateurs, que cuida da inserção de refugiados na sociedade francesa por meio da gastronomia. Isso quer dizer que quem comanda os fornos e fogões no Le Pop Up são os refugiados. E são eles os garçons também.
São iranianos, sírios, etíopes, iraquianos, nepaleses, afegãos e outras nacionalidades; pessoas que tiveram que sair de seus países por causa de guerras, opressão religiosa e outros fatores. A grande maioria já trabalhava em cozinhas e restaurantes em suas nações de origem e, com a ajuda da empresa, agora podem continuar exercendo suas profissões na França. E nós só temos a ganhar, porque, olha, a comida é deliciosa.
Chamei uma amiga para ir comigo ao restaurante. Chegando lá, fomos acolhidos por uma iraniana muito simpática (eu perguntei o nome dela, mas, como faz mais de um mês que fui ao restaurante, esqueci! Fica a lição para eu publicar os textos mais rapidamente). Ela nos apresentou o conceito do lugar: podemos pedir à la carte, mas também o menu. Um dos menus é composto por uma salada, um mezzé e um salgado e custa a partir de 10 euros. O outro é formado por um prato e um ou dois acompanhamentos, valores a partir de 12 euros.
Nós pedimos, cada uma, o menu com um prato e um acompanhamento, ou seja, um mezzé e um prato. Depois, não resistimos e comemos um doce. Mezzé é o nome genérico usado para designar um conjunto de pequenos pratos. Esses pratos são servidos aqui como entrada ou para “beliscar”. Eu pedi um Begun Bhorta, do Bangladesh, que é feito com caviar de berinjela, especiarias e coentro. Minha amiga pediu o Keshke, que é originário da Síria, feito com triguilho, iogurte, nozes e menta. Os dois estavam muito bom.
Keshke, uma receita da Síria
Como prato, nós duas pedimos, cada uma, um Bolani, uma delícia do Afeganistão, que é uma massa folhada recheada com batata e alho-poró e vem acompanhada por um creme de abacate. Também estava uma delícia. De sobremesa, um brownie com tâmaras, tahine (um creme feito com sementes de gergelim) e anis verde. O mais engraçado foi com a bebida: detesto gengibre. Minha amiga pediu um Zanjabil, que vem da Síria e é um suco de gengibre com limão. Por engano, me serviram a mesma coisa. E não é que é uma delícia?! O restaurante também serve refrigerantes, cervejas e vinhos.
Bolani, um prato do Afeganistão
Foi uma refeição deliciosa e diferente. No total, a conta deu 19,50 euros para cada uma (mezzé, prato, bebida e sobremesa). A maioria dos pratos é sem carne, o que é uma opção e tanto para os vegetarianos. O Le Pop Up também serve brunch aos finais de semana e cafés, chás, salgados e doces a qualquer hora do dia. Além do restaurante, a empresa também prepara refeições em eventos, como Mercados de Natal, por exemplo. Os pratos servidos no Le Pop Up podem ser para viagem, com o valor de 1 euro a mais. O restaurante por enquanto é temporário: a previsão inicial é que ele funcione até setembro de 2020. Mas o pessoal já me disse que a ideia é que ele seja permanente, seja nesse endereço ou em outro. Vou ficar de olho!
Le Pop Up
81 Boulevard Voltaire
75011 Paris
Metrô Saint-Ambroise – linha 9.
Telefone: +33 9 86 57 47 46
Horários: de terça a domingo, de 10h às 18h
O menu do almoço é até às 15h durante a semana.
Cafés, chás, doces e salgados podem ser servidos durante o dia todo.
Brunch aos sábados e domingos.
Para saber mais, veja o site oficial do Les Cuistots Migrateurs
Esse, à esquerda, é o Begun Bhorta, uma delícia do Bangladesh
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Sou de São Paulo e moro em Paris desde 2010. Sou jornalista, formada pela Cásper Líbero. Aqui na França, me formei em História da Arte e Arqueologia na Université Paris X. Trabalho em todas essas áreas e também faço tradução, mas meu projeto mais importante é o Direto de Paris. Amo viajar, escrever, conhecer pessoas e ouvir histórias. Ah, e também sou louca por livros e animais.
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