Amboise é uma das cidades mais importantes do Vale do Loire. Além de ser um lugar estratégico para dormir na região, a cidade tem várias atrações, que vamos conhecer neste texto.
Quando vemos Amboise e seus tesouros (só em castelos, ela tem três), nem imaginamos a história movimentada da cidade. E essa história vem de longe.
O Château de Amboise a partir da Île d’Or
Os primeiros habitantes da cidade ocuparam uma área mais alta no vale formado pelo Loire e seu afluente, o Amasse. Era um local que ficava ao abrigo das cheias desses rios, protegido por falésias, que hoje se chama plateau (planalto) des Châtelliers. Escavações arqueológicas revelaram que o lugar foi habitado desde a época neolítica, ou seja, há mais ou menos cinco mil anos.
O Rio Amasse, afluente do Loire
Muitos séculos depois, foi a vez de um povo gaulês chegar, os turons ou turones. É daí que vem o nome da região natural da qual Amboise faz parte, a Touraine. Vindos de uma região da atual Alemanha e com armas de ferro superiores às dos moradores locais, eles não tiveram dificuldade em dominar a área. E logo trataram de proteger o local, pois a então Ambacia ficava em posição estratégica, perto de rios que eram importantes vias de comunicação já naquela época. Aliás, o nome Ambacia já diz tudo, pois em latim significa “entre duas águas”, ou seja, entre dois rios.
Os turons, então, construíram uma espécie de muralha de terra de 500 metros de comprimento, reforçada com traves de madeira e precedida por um fosso. Tudo isto era rodeado por uma paliçada de madeira. O mais interessante é que as traves foram datadas com carbono 14 e foi mostrado que elas são de 410 a.C. Esta praça-forte gaulesa, que chamamos oppidum, não era pequena. Ela tinha cerca de 50 hectares, o que já mostra a importância da futura Amboise na época.
Quando conquistam a Gália, região onde hoje é a França (e outros países), as legiões romanas ocupam a terra dos turons. Porém, não estabelecem ali a cidade que seria o centro de seu poder. O lugar escolhido é onde hoje está Tours, outra cidade importante do Vale do Loire. Mas o oppidum do Plateau des Châtelliers continua a ser ocupado, agora pelos romanos, que dominam e convivem com os gauleses. Prova disso é que uma escavação realizada no local em 1985 revelou traços de um templo galo-romano do século I d.C. Foi somente no século seguinte que o oppidum foi abandonado e a população, aos poucos, foi viver mais perto dos rios Loire e Amasse.
E Amboise continua a ser importante nos séculos seguintes, mesmo depois da queda do Império Romano e das “invasões” e consolidações dos povos “bárbaros”. Em torno do ano 503, Clóvis, o rei dos francos, controlava a então Gália do Norte e avançava para o sul. Sua ambição tinha um obstáculo: os visigodos, que controlavam a Gália do Sul. Então, o rei dos ostrogodos, Théodoric o Grande, resolve promover uma paz entre os povos francos e visigodos. Ele convida Clóvis e Alaric II, o rei dos visigodos, para se encontrarem. O local escolhido é a Île d’Or, em Amboise, que era a fronteira entre os dois reinos rivais.
Segundo o cronista Grégoire de Tours (538-594), o clima do encontro foi cordial: “Depois de terem conversado, comido e bebido juntos, eles prometeram amizade e cada um partiu em paz”. Porém, a treva não durou quase nada: algum tempo depois, o conflito recomeçou até que, em 507, Alaric II foi morto em uma batalha. Dizem até que foi Clóvis em pessoa que o matou.
Igreja Saint-Denis
A história de Amboise nesses primeiros anos ainda é cheia de lacunas. Sabe-se que no começo da Idade Média seu território era dividido em três feudos e que a Rota da Espanha, uma das mais importantes rotas comerciais, atravessava a cidade. Os séculos X e XI foram marcados pelas disputas entre os condes de Blois e os condes de Anjou pela dominação da região da Touraine, onde ficava Amboise. Isso vai até 1080, quando um só senhor feudal, Hugues, consegue reunir os feudos sob sua autoridade. Assim, ser senhor de Amboise passou a significar ter muito poder.
No século XV, esse senhor era Louis d’Amboise. Em plena Guerra dos Cem Anos, em 1430, o rei francês recém-coroado, Charles VII, governava um reino em estado crítico, dividido e cheio de intrigas. Então, Louis d’Amboise e dois cúmplices, André de Beaumont e Antoine de Vivonne, resolvem assassinar Georges de la Trémoille, que era rival deles e tinha grande influência sobre o rei. Só que o complô fracassa, os três são presos e condenados à morte. Beaumont e Vivonne são executados, mas Louis d’Amboise consegue o perdão do rei, que transforma a pena em prisão perpétua e confisco dos bens. E é assim que Amboise e seu castelo entram para o domínio da Coroa Francesa.
O rei vai poucas vezes para Amboise, mas ele envia, em 1433, o filho Louis, herdeiro do trono. O menino passa a infância ali no castelo, vivendo com a mãe, a rainha Marie d’Anjou. Porém, depois de se tornar rei, o próprio Louis, coroado como Louis XI, passa pouco tempo em Amboise. Quem vai viver ali é sua segunda esposa, a rainha Charlotte de Savoie, e seus filhos. Inclusive, é no castelo de Amboise que ela dá à luz ao herdeiro do trono, o futuro Charles VIII, em 30 de junho de 1470.
Assim como o pai, Charles passa a infância em Amboise. O castelo, apesar de ficar perto do rio Loire, tinha uma posição segura para abrigar as crianças dos soberanos, pois ficava em um promontório de uns 20 metros de altura. E o menino tinha um amor pela cidade e seu “château”. Quando o rei Louis XI morre, em 1483, Charles tinha apenas 13 anos e é sua irmã, Anne de Beaujeu, que assume a regência. E ele continua morando no castelo, mesmo quando atinge a maioridade e toma as rédeas do reino. E traz a esposa, Anne de Bretagne.
O Castelo (Château) de Amboise
Uma de suas primeiras e grandes realizações como rei é a construção de um novo castelo no lugar do antigo. O projeto era enorme e um exército de trabalhadores foi contratado. Neste meio tempo, em 1495, Charles VIII foi lutar na Itália pelo reino de Nápoles. Lá ele entra em contato com um novo estilo de arquitetura e arte, o Renascimento.
Quando é obrigado a voltar para a França, em 1496, os trabalhos do novo castelo estavam em andamento e o rei traz consigo uma leva de trabalhadores, artesãos e artistas para continuar as obras. Dentre eles, estavam o escultor Guido Mazzoni (1450-1518), o arquiteto e erudito Fra Giocondo (1433-1515); o arquiteto e engenheiro Dominique de Cortone, conhecido como Boccador (1465-1549), e Pacello da Mercogliano (1455-1534), conhecido como o “arquiteto de jardins”. É ele que vai realizar os jardins do castelo de Amboise, que podemos ver até hoje, e que foram uma inovação na época.
Interior do castelo de Amboise
Naquele tempo, com a presença da Corte, que ainda era itinerante, Amboise era muito próspera e animada. O rei Charles VIII e a rainha Anne de Bretagne eram jovens e promoviam festas e recepções.
Porém, em 07 de abril de 1498, estava acontecendo um torneio de jogo de paume nos fossos do castelo. O jogo de paume é uma espécie de precursor do tênis. Era um esporte bem popular na época e bastante apreciado por Charles VIII. Então, o rei vai chamar a rainha para ver os jogos com ele. Quando os dois estão entrando na galeria, de onde se tinha uma boa visão do torneio, Charles bate com a cabeça no lintel (elemento da parte superior) da porta.
Veja a estrutura horizontal logo acima da porta: é o lintel
O soberano assiste aos jogos, conversa normalmente, até que desmaia. Os médicos chegam, mas não há muito o que fazer. Levar o rei para o quarto era perigoso, então, resolvem colocar uma paliçada (conjunto de estacas de madeira) sob as costas dele, pois o chão da galeria era irregular e o cômodo ainda estava em obras. Ali o soberano fica agonizando por horas, até que morre às onze da noite, no mesmo castelo onde havia nascido havia 28 anos. Detalhe: Charles VIII era baixo, mas a porta da galeria também.
Uma curiosidade é que uma cláusula no contrato de casamento entre o rei e a rainha Anne dizia que se o soberano morresse sem herdeiros, ela deveria se casar com seu sucessor (no texto sobre o Château de Langeais, local do casamento de Charles VIII, há mais detalhes desta história). Então, Anne de Bretagne se casa com o novo rei, Louis XII, primo de Charles. E os dois vão morar no castelo de Blois. Mas Amboise não fica abandonada, pois o rei Louis XII vai continuar os trabalhos de seu antecessor no “château”.
Louis XII usa o castelo de Amboise para abrigar François d’Angoulême, seu primo. François, ainda criança, era o herdeiro do trono, caso o casal real não tivesse filhos homens. Cercado por sua família (a mãe e a irmã) e por uma Corte, o menino passa a infância ali no castelo, aproveitando as margens do rio Loire.
O rei Louis XII acaba tendo somente duas filhas. Então, a mais velha, Claude, se casa com François d’Angoulême em 1514. Quando Louis morre, em 1º de janeiro do ano seguinte, o jovem assume o trono com o nome de François I. Ele deixa de morar em Amboise, mas volta sempre à cidade e ao castelo para festas e ocasiões especiais, como o batismo do filho mais velho, François.
Os dois reis precedentes, Charles VIII e Louis XII, haviam, através das guerras na Itália, entrado em contato com o Renascimento e trazido artistas para a França, resultados que podemos ver principalmente no castelo de Amboise. François I segue a linha deles e vai combater principalmente em Milão (os reis franceses achavam que tinham direito ao ducado de Milão e ao reino de Nápoles por herança). Assim, o novo rei também traz artistas e artesãos italianos para trabalhar na França. Um deles a gente conhece bem: ninguém mais, ninguém menos do que Leonardo da Vinci.
Château du Clos Lucé, onde viveu Leonardo da Vinci
Vendo a genialidade do artista, que era pintor, escultor, arquiteto, inventor, etc, François I o convida para ir viver na França. Leonardo aceita o convite e em 1516 chega em Amboise com uma pequena comitiva e algumas obras, entre elas a Monalisa. O rei destina para ele o Château du Clos Lucé, que fica perto do castelo de Amboise, e uma renda anual. Leonardo da Vinci tem liberdade para trabalhar em suas obras de arte e em suas invenções e também faz alguns trabalhos para François I. O artista, que havia chegado à França com 64 anos, morre no Clos Lucé em maio de 1519 e é enterrado no castelo de Amboise (seu túmulo está na capela Saint-Hubert).
Parque do Château du Clos Lucé
Ainda no século XVI, a França seria agitada por conflitos religiosos entre católicos e protestantes, e Amboise vai ser o palco de um acontecimento bem triste: a Conjuração de Amboise. O rei François II (neto do François I) era influenciado pelos tios ultra católicos da esposa, a rainha Maria Stuart (aquela que se tornaria rainha da Escócia e seria decapitada pela rainha da Inglaterra). Os tios em questão eram François e Charles de Guise, que se aproveitavam da influência sobre o rei francês, ainda adolescente, para favorecer o partido católico e reprimir violentamente os protestantes. Então, estes últimos resolvem fazer um complô para sequestrar o rei e eliminar os Guise. Só que a gente já viu no começo do texto que complô por aqui não dá certo.
Em março de 1560, homens armados, vindos de várias regiões, começam a se reunir em Amboise. A Corte, alertada do perigo, se refugiou no castelo de Amboise. Em 17 de março, 200 homens tentam invadir o castelo, mas, depois de duas horas de luta, são obrigados a recuar, perseguidos pelas tropas do rei. A repressão é violenta: 13 “rebeldes” são enforcados no terraço do castelo, sem julgamento. E os corpos dos outros capturados são colocados em sacos e jogados no rio Loire.
O líder dos rebeldes era Jean du Barry, conhecido como La Renaudie. Era um francês da região do Périgord, no sudoeste da França. As tropas reais conseguem matá-lo em uma cidade chamada Château-Renault, a uns 25 quilômetros de Amboise. Então, trazem o corpo para Amboise e o penduram no meio da ponte com um cartaz que lembrava seu crime. Depois, seu cadáver foi cortado em pedaços, que foram pendurados nas portas da cidade. Isso foi o embrião das Guerras de Religião, que vão começar em 1562. Os dois lados até tentam fazer as pazes em 1563, com o edito de Amboise, que autorizava o culto protestante, mas não vai dar certo e a guerra vai até 1598.
A partir do final do século XVI, os reis abandonam o Vale do Loire e se estabelecem mais nos castelos da região parisiense. Com isso, no começo do século seguinte, no reinado de Louis XIII, o castelo de Amboise vira prisão e a cidade fica menos importante. Os prisioneiros em geral eram nobres que caíam em desgraça com o rei.
Um deles foi Nicolas Fouquet, Superintendente de Finanças do rei Louis XIV, preso em 1661, acusado de malversação financeira. Ele ficou encarcerado alguns dias em Amboise antes de seguir para a prisão do Château de Vincennes, ao lado de Paris. A história de Fouquet é bem interessante e está contada na matéria sobre o castelo de Vaux-le-Vicomte, na região parisiense, que foi construído por ele.
Amboise não é mais uma das cidades usadas pelo rei como residência, mas continua a atrair a nobreza. Em 1761, o duque de Choiseul, um dos altos funcionários do rei Louis XV, compra uma propriedade na cidade. Com os seus ganhos, que não eram poucos, o nobre vai realizar importantes trabalhos no lugar. O resultado é o Château de Chanteloup, que na época chegou a ser mais bonito que o Château de Amboise, que estava praticamente abandonado.
Louis-Michel Van Loo (atelier), Portrait du duc de Choiseul, XVIII – Musée d’Amboise
Quando o duque de Choiseul cai em desgraça e é obrigado a se exilar em Amboise, em 1771, ele reúne em torno de si uma corte de nobres também descontentes com o rei. O Château de Chanteloup se torna, então, um lugar da moda, o que é bom para a cidade de Amboise também. Com a morte de Louis XV, em 1774, o duque de Choiseul volta para Paris e, nas décadas seguintes, as terras de Chanteloup mudam de proprietário e o castelo é demolido.
Pagode de Chanteloup – um dos únicos vestígios das construções do duque
Na Revolução Francesa (1789), com a queda da Monarquia, o Château de Amboise deixa de ser da realeza, mas continua a ser uma prisão. Nessa época, a cidade se torna sede de distrito, porém perde em importância, talvez devido ao seu passado com os reis. O inverno rigoroso e a instabilidade política afetam o seu desenvolvimento e trazem a fome à população.
Em 1815, com a Restauração da Monarquia, o Château de Amboise volta para a família Orléans e cidade ganha o título de “boa cidade do reino”. Com a morte da duquesa de Orléans, em 1821, o castelo vai para seu filho, Louis-Philippe, que será rei em 1830. Ele realiza trabalhos na propriedade e também na cidade.
Em 1846, o trem chega a Amboise: a estrada de ferro Paris-Bordeaux passa pela cidade, que ganha a sua estação. Com isso, o transporte fluvial pelo Loire começa a entrar em declínio. O bairro em torno da estação se desenvolve e se torna reduto dos trabalhadores.
Durante a Revolução de 1848, que derruba Monarquia e instaura a II República, o Château de Amboise volta para a função de guardar prisioneiros ricos. E como a cidade é intimamente ligada ao castelo, ela “sofre” as consequências. Entre 1848 e 1852, Amboise recebe um prisioneiro ilustre: o emir Abd el-Kader, chefe militar argelino, capturado em 1843, durante a conquista da Argélia pelos franceses.
Retratos do Emir Abd el-Kader – Musée d’Amboise
Ele vem acompanhado por uma “corte” de quase cem pessoas, entre a família (ele tinha várias esposas) e amigos próximos. Apesar de estar preso, era mais um tipo de exílio, pois o emir e sua comitiva tiveram os aposentos do castelo especialmente preparados para eles. Abd el-Kader também tinha permissão para passear pela cidade e arredores, com uma pequena escolta, é claro.
Extremamente culto, Abd el-Kader era também filósofo, poeta e contador de histórias. A elite local até o convidava para jantar, o que o emir aceitava e depois retribuía, convidando-a para recepções no castelo de Amboise. Assim, esta pequena colônia muçulmana era apreciada na cidade. O emir até chegou a doar um lustre para a igreja Saint-Denis, ali perto, pois ficou amigo do pároco local.
Em 16 de outubro de 1852, o próprio Presidente da República, Louis-Napoléon Bonaparte, futuro imperador Napoleão III, chega a Amboise para anunciar ao emir que ele estava livre. Então, em 11 de dezembro, Abd el-Kader deixa Amboise, não sem antes se despedir da população. Ele se instala na Turquia e depois na Síria e ainda voltaria para Amboise em 1865, desta vez como um visitante ilustre. Ao partir, Abd el-Kader declara para a multidão que o acompanha até a estação de trem: “Eu parto, mas deixo meu coração com vocês!” Ele morre na Síria em 1883.
Também em meados do século XIX, Amboise, que sempre teve uma boa tradição de comércio e artesanato, recebe várias indústrias, impulsionadas pela estrada de ferro. Havia, por exemplo, uma fábrica de limas, a mais importante da França, que chegou a ter 160 operários. Também se instala ali uma fábrica de curtumes, que, em 1861, tem como estagiário Félix Faure, que será Presidente da República 34 anos depois.
Na cidade, eram fabricadas velas, prensas, calçados, materiais de pesca, etc. Isso tudo vai ajudar a fazer com que Amboise continue a ser um lugar importante, atraindo comércios e moradores. Porém, nem tudo são flores: nesta época, a cidade sofre com as inundações provocadas pelas cheias do rio Loire. Três delas foram particularmente destruidoras: a inundação de 1846, a de 1856 e a de 1866.
No século XX, Amboise vai conhecer momentos difíceis e momentos mais prósperos. Durante a Segunda Guerra, a cidade sofre bombardeios realizados pelos alemães em 1940. E é defendida, principalmente, por soldados vindos do Senegal, que na época pertencia à França. Após o armistício de 1940 e a ocupação da França pelos alemães, Amboise fica em zona ocupada, mas perto da fronteira com a zona livre. Por isso, a cidade se torna bem movimentada com o tráfico de mercadorias e armas e com pessoas tentando fugir para a área livre (não ocupada pelos alemães). Amboise é liberada pelos Aliados em 1º de setembro de 1944.
Já nas décadas seguintes, principalmente depois dos anos 1960, a cidade vai se recuperando. Se muitas indústrias fecham, pois se tornaram obsoletas, outras, mais modernas, se instalam. Assim, uma zona industrial e comercial é criada nos arredores da cidade. E um boom demográfico acompanha essa recuperação. Em 1968, a cidade (incluindo os arredores) tinha cerca de 8 600 habitantes. Já em 2022, esse número vai para pouco mais de 13 500 moradores. O turismo, que começa realmente a se desenvolver no período entre guerras, cresce a todo o vapor.
O centro histórico de Amboise é tombado em 1991 e hoje abriga vários comércios e serviços interessantes. Os monumentos são restaurados periodicamente e passam a atrair cada vez mais visitantes. Desde 2000, a cidade faz parte da área do Vale do Loire inscrita na lista de Patrimônios Mundiais da UNESCO. E desde 2008, Amboise faz parte também da rede de Villes et Pays d’Art et d’Histoire. (Cidades e “Países” de Arte e de História), junto com outras cidades da região. Trata-se de um selo concedido às cidades e regiões que se engajam na preservação de seu patrimônio histórico.
Enfim, Amboise entra no século XXI como um dos centros turísticos mais importantes da França, o que é bem merecido.
O que ver em Amboise.
Amboise não é uma grande cidade, em termos de extensão, pois tem apenas 40,65 metros quadrados. Mas ela possui bastante atrações turísticas e o que visitar vai depender de quantos dias você for ficar na cidade. Eu a visitei algumas vezes e em várias delas fiquei mais de três dias só para ver as atrações com calma, mas o meu ritmo é mais devagar. Amboise também é uma ótima opção de base para visitar outras cidades do Vale do Loire. Abaixo segue a lista do que visitei na cidade.
Interior do Château de Amboise
1) Château de Amboise
A história da Amboise está intimamente ligada ao seu castelo. Foi por causa dele que a cidade se desenvolveu e é, principalmente, por causa dele que as pessoas visitam Amboise. Construído na Idade Média e modificado ao longo dos séculos, hoje ele é aberto para visitação o ano todo e abriga vários eventos. Para saber mais detalhes sobre o monumento e como visitá-lo, veja a matéria aqui no site sobre o Château de Amboise.
2) Château du Clos Lucé
Outra atração bastante visitada da cidade é o castelo do Clos Lucé. “Emprestado” pelo rei François I para Leonardo da Vinci, foi ali que o artista viveu por três anos, até a morte em 1519. Hoje aberto ao público, podemos ver como era a vida de Leonardo em Amboise e conhecer mais sobre sua obra. Há, inclusive, várias réplicas de suas invenções até no parque do castelo. Também já escrevi uma matéria super completa aqui no blog sobre o Clos Lucé.
Maquete de um carro de guerra (ou tanque) inventado por Leonardo
3) Pagode de Chanteloup
Em meados do século XVIII, o duque de Choiseul foi o “dono’ de Amboise. Ele construiu na cidade um palácio imenso ao gosto da época e criou ali uma Corte alternativa de oposição ao rei Louis XV. O castelo não existe mais, mas podemos visitar um pagode exótico, de inspiração oriental, que o duque mandou construir na propriedade. Como ele fica na saída de Amboise, do alto deste monumento temos uma bela vista da cidade e dos arredores. Para saber mais detalhes da visita, veja o texto sobre o Pagode de Chanteloup.
Interior do monumentoUma parte da vista lá do alto do PagodeUma parte do jardim
4) Parc des Mini-Châteaux
O Vale do Loire tem tantos castelos, que são necessárias várias visitas para conhecer 10% deles. Mas para se ter uma ideia dos tesouros da região, nada como uma visita ao Parc des Mini-Châteaux. São castelos em miniatura e eles estão dispostos da mesma maneira em que estão localizados na região. Ao lado de cada um, informações sobre o ano e contexto da construção e distância em relação a Amboise. Eu adorei visitar este parque e conto tudo neste texto sobre o Parc des Mini-Châteaux.
Miniatura do Château de AmboiseMiniatura do Château du Clos Lucé
Miniatura do Château de la BussièreMiniatura do Château de Sully
5) Château Gaillard d’Amboise
Este castelo fica pertinho do Clos Lucé. De inspiração italiana, ele pertenceu aos reis franceses e foi dado para Pacello da Mercogliano, que era jardineiro-paisagista do rei. Além do château, podemos visitar a Orangerie, os jardins e o parque de 15 hectares. É um castelo ainda pouco conhecido pelos turistas brasileiros e vale a pena ser visitado. Veja aqui no blog a matéria que fiz sobre o Château Gaillard d’Amboise.
6) Centro histórico
O centro histórico de Amboise é muito bem preservado. Na primeira metade do século XIX, trabalhos urbanísticos realinharam algumas ruas da época medieval, o que facilitou a circulação de veículos (carroças e carruagens). Assim, o centro histórico da cidade é o resultado de construções e obras que vão dos séculos XV ao XIX. Apesar das diferenças de estilos ao longo deste tempo, há unidade e beleza em seu conjunto.
Para citar alguns exemplos, tem a rua principal, a Nationale (vou contar sobre ela logo abaixo), a place Michel-Debré, dominada pelas muralhas do castelo e que é passagem obrigatória para quem visita Amboise, e a rua Victor-Hugo, que leva para o Château du Clos Lucé. Todas as três cheias de construções históricas que abrigam lojas e restaurantes.
Rue Victor-HugoPlace Michel-DebréPlace Michel-Debré
Abaixo do castelo e paralela ao rio Loire, temos a rua de la Concorde, com construções que vão do século XV ao XVIII, em vários estilos e materiais. Ali perto, fica a rua du Rocher-des-Violettes, que abriga a Maison des Pages de Charles VII, uma residência antiga em pedra, com o andar superior em colombage (com vigas de madeira aparentes), e que tem uma torrezinha quadrangular abrigando uma escadaria. Esse tipo de torre é bem característico da arquitetura medieval. Mais adiante, vou explicar mais sobre esta casa.
Maison des Pages de Charles VII
Dentre as construções mais preservadas e admiráveis do centro histórico de Amboise, temos o Hôtel Joyeuse, que fica no número 6 da rua Joyeuse. Construído em parte no final do século XV ou começo do XVI, este palacete foi a residência do arquiteto italiano Fra Giovanni Giocondo, que foi trazido para a França pelo rei Charles VIII e foi um dos responsáveis pela introdução do Renascimento no país. Alguns historiadores dizem que o próprio Fra Giovanni teria construído o palacete. Hoje, o local é privado e abriga um hotel. Mas mesmo da rua é possível admirar o portal de entrada, que é cercado por dois pequenos pavilhões e encimado por uma galeria coberta.
Hôtel Joyeuse
Outro imóvel bem interessante fica na Place Richelieu. É a “Maison du Philosophe Inconnu”, uma construção de pedra do século XVI. Ela leva esse nome porque ali nasceu, em 18 de janeiro de 1743, Louis-Claude de Saint-Martin, advogado e militar, que larga tudo para estudar metafísica e assina suas primeiras obras como philosophe inconnu (filósofo desconhecido). Hoje, o imóvel abriga um pequeno hotel.
Maison du Philosophe InconnuEstátua do cardeal de Richelieu, realizada pelo escultor Henri Allouard em 1904. Ela fica na Place Richelieu
Estes foram apenas alguns exemplos do centro histórico de Amboise. Mas há várias outras ruas que valem o passeio, principalmente em torno da rue Nationale e dos castelos. O centro histórico de Amboise é facilmente percorrido a pé.
7) Tour de l’Horloge
Na Idade Média, Amboise era cercada por muralhas e a entrada na cidade se fazia pelas portas. A única que ainda existe é a antiga Porte de l’Amasse, que recebeu esse nome porque fica perto do rio Amasse. Construída no século XIV, no século seguinte já é a porta mais importante da cidade. Em 1445, durante a Guerra de Cem Anos, ela recebe mais dois andares, uma torre com escadaria, um telhado e um lanternim. O relógio, que dá nome à torre, foi instalado em 1501. A espiga no topo do monumento tem a forma de uma flor de lis.
Em um dos lados da torre, um nicho abriga uma estátua de Nossa Senhora com o menino Jesus. O objetivo era proteger as pessoas que saiam da cidade pela, então, porta. A estátua atual é uma réplica. A original, da época medieval, está no museu no Hôtel Morin. Pela Tour de l’Horloge passam muitas pessoas por dia, pois ela fica na Rue Nationale, a mais movimentada de Amboise.
A imagem atual
8) Rue Nationale
É a principal rua da cidade, a artéria comerciante de Amboise. Ali encontramos de tudo: restaurantes, padarias, lojas de lembranças, de roupas, sapatos, etc. Não é à toa que é a mais movimentada da cidade. Durante o dia, o movimento é causado pelo vai-e-vem dos pedestres. Já na hora do almoço e ao final da tarde, são os restaurantes, bares e cafés da rua que ficam animados. Ali não circulam carros e nem ônibus, então é como os nossos calçadões. Em todas as vezes em que fui para Amboise, a Rue Nationale sempre estava enfeitada e com uma decoração diferente a cada ano.
A decoração da rua em uma das minhas viagens para Amboise
Mas a história da Rue Nationale vem da época medieval. Uma parte dela, a parte leste, do número 1 ao 61, ficava dentro dos limites da muralha. A parte oeste ficava fora da muralha e corresponde ao trecho que vai do número 61 ao 110. Ou seja, eram duas ruas, que tiveram vários nomes: a primeira parte recebe os nomes de Grande rue e, depois de 1500, rue de l’Horloge; e a segunda parte tem os nomes de Grande rue ou rue de Saint-Denis, pela proximidade com a igreja. Unificada na Revolução, a rua também já foi chamada de rue Royale e rue Napoléon.
9) Hôtel Morin – Musée
Quando chegamos em Amboise e vamos em direção ao castelo, geralmente passamos em frente desta bela construção. A história dela é antiga. Um primeiro palacete foi construído no começo do século XVI por Pierre Morin, que era prefeito de Tours, uma cidade da região. Foi construído com o mesmo tipo de pedra que o castelo: o tufeau, pedra bem maleável típica da região. O Hôtel Morin pertence ao estilo do primeiro Renascimento francês, onde vemos uma mistura de elementos ainda do Gótico com elementos já do Renascimento italiano, que acabara de chegar na França.
Em 1764, o palacete é comprado pelo duque de Choiseul, que manda reconstruir uma parte do edifício. Em 1826, o Hôtel Morin é comprado pela cidade de Amboise, que instala ali, em 1848, uma parte das tropas que vigiavam o Émir Abd el-Kader. Em 1855, o local passa a abrigar a prefeitura da cidade.
O palacete começa a receber obras do Estado francês em 1876. Em 1880, é tombado como monumento histórico e alguns anos depois, em 1891, passa por uma restauração que lhe dá o seu aspecto atual. Em 1970, os serviços da prefeitura são transferidos para uma construção vizinha e assim o Hôtel Morin é totalmente tomado pelo museu da cidade.
A Salle des Mariages (Sala dos casamentos) do museu
É uma visita muito legal. Aprendemos sobre a história de Amboise ao longo dos séculos através de muitas obras de arte, como quadros, esculturas, tapeçarias, móveis, etc. As antigas salas da prefeitura são bem bonitas, com seus mobiliários originais. Uma curiosidade é que elas ainda são usadas pelo município. Um destaque da coleção do museu é a estátua original de Nossa Senhora com o Menino Jesus, que ficava na Tour de l’Horloge. Realizada entre o final do XIV e começo do XVI, é uma das obras medievais mais importantes da cidade.
A imagem original que ficava na Tour de l’Horloge
Hôtel Morin – Musée
Rue François 1er – 37400 Amboise
Horários: Aberto de 20 de abril até 31 de dezembro. De 20 de abril a 1 de setembro: de quarta a sexta, das 14h30 às 19h. Sábados e domingos, das 11h às 13h e das 14h30 às 19h. De 7 a 22 de setembro, sábados e domingos, das 11h às 13h e das 14h30 às 19h. De 28 de setembro a 27 de outubro, sábados e domingos, das 14h30 às 17h30. De 1 a 3 de novembro, sábados e domingos, das 14h30 às 17h30. E de 21 a 31 de dezembro, todos os dias, das 14h30 às 17h30. Fechado em 25 de dezembro.
Tarifa: gratuito.
Michele Vedani – Buste de Léonard de Vinci, 1952
10) Le Crinkly – Em frente ao museu, na esplanada da igreja Saint-Florentin, temos uma obra do escultor Alexander Calder. A escultura-móbile foi realizada em 1969 e está nas mãos da cidade de Amboise desde 1970.
Alexander Calder – Le Crinkly, 1969
11) Église Saint-Denis
É uma igreja de estilo românico, que foi construída por iniciativa de Hugues I de Amboise a partir de 1107. Mas, foi sendo ampliada e decorada ao longo dos séculos. Por exemplo, a decoração com folhas de vinha e cachos de uva das voussures da porta da fachada norte é do século XIX. É por esta porta que geralmente entramos na igreja, depois de subir uma escadaria e ter uma bela vista do castelo. Nesta fachada, há também um nicho com a estátua de Saint Denis, o padroeiro desta igreja.
Voussures são esses arcos decorados acima da porta
Dentro da igreja, destaque para os capitéis muito bem esculpidos. Há também muitas obras de arte. Dentre elas, um quadro de Claude Vignon (1593-1674), pintor da região, representando a Sagrada Família. Outra obra importante é a Mise au Tombeau (Sepultamento de Jesus) em pedra policromada. Este conjunto esculpido é do século XVI e vem da Chapelle de Bondésir, em Montlouis, uma cidade perto de Amboise. A capela (chapelle) foi fundada por Phlibert Babou, senhor de la Bourdaisière e alto funcionário do rei. Os personagens desta Mise au Tombeau seriam membros da família dele.
Também me chamou atenção uma estátua de Maria Madalena, também do século XVI e em pedra policromada. Na obra, a santa é representada deitada, a cabeça apoiada no braço direito enquanto folheia a Bíblia. Perto dela, está o frasco de perfume com o qual ela banha os pés do Cristo. Uma curiosidade: o lustre de cristal, suspenso no cruzeiro (cruzamento da nave central e do transepto), foi doado pelo Émir Abd El-Kader. Exilado em Amboise, este muçulmano, como vimos, tinha boas relações com os habitantes da cidade, inclusive com o clero.
Église Saint-Denis
Rue Saint-Denis – 37400 Amboise
Horários: todos os dias, das 9h às 17h.
Imagem de Saint Denis no portal
12) Église Saint-Florentin
No século XV, o rei Louis XI decide acabar com o costume que os súditos tinham de ir assistir à Missa na Collégiale Saint-Florentin, que ficava dentro das muralhas do castelo (e hoje não existe mais). O soberano tinha medo de epidemias e de sofrer algum atentado. Então, ele ordena a construção de uma nova igreja, fora dos limites do castelo. O novo templo, com o nome Notre-Dame-en-Grève, é construído entre 1477 e 1484 e tem a cabeceira apoiada na muralha da cidade.
No começo do século XIX, com a destruição da Collégiale Saint-Florentin (a igreja que ficava nos limites do castelo), a Notre-Dame-en-Grève passa a se chamar Saint-Florentin. Algumas décadas depois, ela recebe as abóbadas e a única nave é dividida em três naves com fileiras de colunas para separá-las. Em 1962, o edifício é tombado. Em 2010, depois de anos fechada, a igreja Saint-Florentin é reaberta depois de uma grande restauração.
Uma das curiosidades da Saint-Florentin é que seus vitrais são modernos. Eles foram colocados ali em 1956 e são obra de Max Ingrand (1908-1969). Outro destaque é o seu campanário composto por uma torre quadrada e um domo de estilo renascentista do século XVI. O sino, instalado ali em 1764, foi uma doação do duque de Choiseul e se chama Louise-Honorine, em homenagem à esposa dele, Louise-Honorine de Crozat. Além de ser um edifício religioso, a igreja Saint-Florentin também é um centro cultural com exposições temporárias.
Église Saint-Florentin
Rue François 1er – 37400 Amboise
Horários: aberta todos os dias, das 10h às 19h.
13) Île d’Or
Foi por muito tempo também chamada de Île Saint-Jean. É uma ilha de 2 km de comprimento e 400 metros de largura (na parte mais larga), cercada pelo rio Loire e que é conhecida ao menos desde o começo da Idade Média. Fica bem em frente do Castelo de Amboise e do centro da cidade. Como escrevi no começo da matéria, foi aqui que teria acontecido o famoso encontro de paz entre Clóvis, rei dos francos, e Alaric, rei dos visigodos, no século VI. Aliás, o nome Île d’Or (ilha dourada) teria aparecido por causa do banquete entre os soberanos, servido em pratos e travessas feitos de ouro.
No século XVII, o relato de um viajante anônimo descreve a ilha como um lugar com bastante casas, e muitos moradores. Outro relato sobre a Île d’Or é de 1907, quando Lucie Faure, filha do presidente francês Félix Faure, escreve que, em sua infância, no século XIX, uma fogueira de São João era acesa na ilha, em uma festa muito animada onde todos dançavam. Talvez seja essa tradição que tenha dado o nome de Saint Jean (São João) ao lugar e à capela que fica ali. Enfim, Île d’Or e Île Saint-Jean são dois nomes que convivem há séculos para designar uma ilha tão pequena, mas não menos charmosa.
O castelo de Amboise visto da Île d’Or
Uma curiosidade é que a Île d’Or fazia parte do caminho de Santiago de Compostela, pois, por muitos anos, ali era o ponto mais fácil de atravessar o Loire. Hoje, a ilha tem belas trilhas margeando o rio, com áreas de piquenique e de esportes, além de ser uma reserva natural protegida. A Île d’Or também abriga a capela Saint-Jean, uma estátua de Leonardo da Vinci, alguns restaurantes, um clube de caiaque, uma piscina, um camping municipal e o hostel onde eu fiquei. Há algumas ruas com casas antigas bem preservadas e charmosas.
14) Chapelle Saint-Jean
É uma capela situada na Île d’Or. Construída no final do século XII e começo do século XIII, é o único vestígio de um monastério dos cavaleiros de Saint-Jean-de-Jérusalem, uma ordem religiosa e militar fundada na época das cruzadas, em 1099. A decoração interior é bem simples e bonita. A capela é de estilo plantageneta, uma transição entre o românico e gótico. As abóbadas possuem chaves esculpidas e os vitrais são modernos, realizados no começo dos anos 1970.
Na fachada exterior, na parede sul, vemos os restos de uma construção que não existe mais, talvez eram as instalações da ordem de Saint-Jean. Sendo parte do caminho de Santiago de Compostela, a capela serviu até como albergue, antes de ser abandonada no século XIX e restaurada pelo município de Amboise.
Infelizmente, a Chapelle Saint-Jean fica fechada o tempo todo. O único jeito de visitá-la é assistindo uma Missa no local, o que ocorre às sextas-feiras, às 18h nos meses de julho e agosto. Foi o que eu fiz e, no final, as pessoas me deixaram tirar quantas fotos eu quisesse antes de fechar a capela. Valeu a pena.
Chapelle Saint-Jean
Île d’Or – 37400 Amboise
Horários: Terço e Missa às sextas-feiras às 18h (meses de julho e agosto).
15) Estátua de Leonardo da Vinci
Uma das atrações da Île d’Or é uma grande estátua de Leonardo da Vinci. Ela representa o artista de uma maneira insólita: sentado, nu, como um deus antigo. A obra foi realizada em 1924 pelo italiano Amleto Cataldi (1886-1930) e é um presente dado à França em 1935 pela República de San Marino. Inicialmente instalada em Paris, a estátua chega em Amboise em 1976, a pedido do então prefeito da cidade, Michel Debré, que também foi primeiro-ministro.
16) L’église Notre-Dame-du-Bout-des-Ponts
Esta igreja, também chamada de Notre-Dame-de-Grâce-du-Bout-des-Ponts, foi construída em 1521, durante o reinado de François I, para os habitantes da periferia situada na margem direita do Loire (margem oposta ao castelo). Ela possui 33 metros de comprimento e 10 metros de largura, tem a cabeceira achatada e uma única nave, que foi coberta com abóbadas. Outra característica de sua arquitetura é que os contrafortes, que servem para sustentar a estrutura do edifício, estão situados em seu interior e não no exterior como é comum em outras igrejas. Por isso não vemos capitéis nos pilares.
É impossível não notar esta igreja quando chegamos a Amboise vindos da estação de trem. Como indica seu nome (bout-des-ponts), ela está situada perto da extremidade da ponte que leva ao castelo e ao centro da cidade. A igreja fica bem às margens do rio Loire e foi várias vezes vítima de suas cheias. Na sua fachada podemos ver as marcas das piores inundações, assim como as datas 1846, 1856 e 1866. A inundação de 03 de junho de 1856 foi particularmente devastadora. Em 1875, a prefeitura decide fazer várias obras na cidade para conter as inundações e é nesta época que o nível da igreja é elevado, dando-lhe este aspecto compacto que vemos hoje.
Esta é outra igreja que vive fechada e que consegui visitar porque fui assistir à Missa e depois aproveitei para fotografar o interior do edifício. A celebração acontece geralmente no primeiro sábado dos meses ímpares, às 18h. Também é possível visitá-la, assim como outras igrejas da cidade, em visitas guiadas (ver com o Office de Tourisme) ou durante as Journées du Patrimoine, que acontecem todos os anos no terceiro fim de semana de setembro.
Detalhe do vitral
Église Notre-Dame du Bout-des-Ponts
Route de Blois – 37400 Amboise
Chave de uma abóbada em forma de salamandra, o emblema do rei François I (rei na época da construção da igreja)
17) Tour Féalen
É uma das torres da antiga muralha. Fica no Square des Anciens Combattants d’AFN, perto do escritório de Turismo (Office de Tourisme). Construída no século XV, foi coberta por um domo com lanternim terminado por uma esfera em zinco. Ela fica no ângulo de dois braços do rio Amasse, hoje coberto nesta área.
18) Fontaine “Aux cracheurs, aux drôles, au génie” de Max Ernst
Desde o começo dos anos 1960, a cidade de Amboise deseja instalar uma fonte, mas o Ministério da Cultura não tinha nenhum exemplar “sobrando” para dar à cidade. Em 1966, o prefeito de Amboise, Michel Debré, pergunta ao pintor e escultor Max Ernst (1891-1976) se ele aceitaria construir uma fonte para a cidade. O artista aceita, com a condição de que ela seja algo simples, cercado por um jardim, e não um monumento solene. Assim, em 1967, o Ministério da Cultura encomenda a Max Ernst um conjunto com 10 esculturas e seus pedestais em pedra.
A fonte, inaugurada em 23 de novembro de 1968, é uma homenagem a Leonardo da Vinci e mostra o bestiário que integrou a obra de Max Ernst ao longo de sua vida. O próprio título “Aux cracheurs, aux drôles, au génie” (Para os cuspidores, para os engraçados, para os gênios) já é uma irreverência É uma das raras obras realizadas pelo artista para um espaço público.
Fontaine “Aux cracheurs, aux drôles, au génie”
Quai du Mail – 37400 Amboise
19) Quai du Général de Gaulle
O Quai du Général de Gaulle é composto por uma via expressa com vários comércios e também uma via pedestre, de onde temos uma bela vista do rio Loire. Esta parte pedestre é decorada com mandris e bancos, onde podemos ficar horas admirando o rio e o movimento de barcos e pessoas. E foi o que fiz. A parte pedestre também tem esculturas, que vou mostrar aqui em seguida. Um passeio pelo Quai du Général de Gaulle pode começar, terminar ou simplesmente passar pela Fontaine de Max Ernst que vimos acima.
O Monumento aos Mortos das Guerras também está no Quai du Général de Gaulle. Obra do escultor Camille Garand, ele foi inaugurado em 1924 com os nomes dos mortos da Primeira Guerra Mundial. Os nomes dos mortos da Segunda Guerra foram acrescentados depois.
Mais adiante, há um monumentos em homenagem aos habitantes que foram deportados para os campos de concentração e outro dedicado aos órfãos de guerra. E, ainda no Quai, está a estela do General Charles de Gaulle, que liderou as Forças Francesas Livres durante a Segunda Guerra Mundial e governou o país após o fim do conflito.
20) Sculpture « Les 2 Gigis » de Fred Chabot
Trata-se de uma escultura em metal de duas girafas, do artista francês Fred Chabot, que, aliás, nasceu em 1966 aqui perto, na cidade de Tours. A obra foi instalada no Quai du Général de Gaulle em junho de 2018, junto com outras esculturas do artista. Era uma exposição temporária, mas a “Les 2 Gigis” acabou ficando.
21) Passage Abdelkader
Como vimos ao falar de Amboise, o emir Abd El-Kader foi um personagem importante na História da cidade. Prisioneiro dos franceses, exilado em Amboise, ele conseguiu ter uma boa relação com os moradores daqui e até hoje é considerado um exemplo de tolerância religiosa. Uma escultura em metal dedicada a ele está instalada no Quai du Général de Gaulle desde 2022. O escultor, Michel Audiard, se inspirou em uma foto do emir conservada na Biblioteca Nacional da França.
22) Pont du Maréchal Leclerc, La Tour d’Or Blanc e a Estátua do Marechal
É a ponte que liga as duas margens do rio Loire e passa pela Île d’Or. Ela tem uma arquitetura muito bonita com arcos e oferece uma das melhores vistas do Loire e do Castelo de Amboise. A ponte atual foi inaugurada em 26 de novembro de 1995.
Em cada uma das extremidades da ponte há uma obra de arte. No lado da margem direita do rio, temos a Tour d’Or Blanc, uma torre-coluna de 14 metros de altura, realizada por Jean-Michel Othoniel. A obra foi encomendada por um grupo de viticultores de Amboise para homenagear os vinhedos e a atividade vitícola na região. Ela foi inaugurada em 2021.
Já na margem esquerda do rio, na outra ponta da ponte, temos o busto do Marechal Leclerc, um dos principais chefes militares franceses durante a Segunda Guerra Mundial, e que dá nome à ponte. A obra é chamada de “stèle à la mémoire du Maréchal Leclerc”, pois é acompanhada por uma estela com inscrições sobre o marechal.
23) Maison Des Pages De Charles VII
Como escrevi mais acima, esta casa fica na rue Rocher-des-Violettes. Na época de sua construção, ela ficava um pouco retirada da cidade medieval. Pelo seu tamanho, é considerada um palacete para a época. O nome, Maison des Pages, se explica pelo fato de que a casa teria sido a residência dos pajens (pages) do futuro rei Charles VII.
A Maison des Pages é essa mais atrás
A Maison des Pages se destaca por sua altura, pois está construída na rocha, ou seja, é uma construção troglodita. Temos, inclusive, a impressão de que a casa vai sair da pedra. Sua fachada principal se divide em duas partes: de um lado, a torrezinha que abriga a escada, que serve os cômodos da casa. Do outro, os cômodos, um por andar. Provavelmente a cozinha ficava no térreo.
Detalhe da Maison des Pages
24) Vestígios gallo-romanos – Butte de César e Ambacia Oppidum
Como vimos acima, Amboise tem uma história bem antiga, que remonta ao período neolítico. Ainda na Antiguidade, chegaram os gauleses, mais precisamente os turons, que se fixaram no lugar antes da chegada dos romanos. A área onde estava implantado o centro desta cidade gaulesa se chama Plateau des Châtelliers. Ela fica perto do castelo de Clos Lucé, em uma área elevada e estratégica, não distante da confluência dos rios Loire e Amasse.
Em meados do século XX começaram as primeiras escavações arqueológicas no local, mas a área era coberta por vinhas. Em 1970, um grande projeto de urbanização do lugar provocou uma multiplicação de descobertas e hoje o Plateau des Châtelliers é um dos mais importantes sítios arqueológicos do Vale do Loire. Foram encontrados objetos do período neolítico, como pontas de lança, até utensílios “mais recentes”, da época dos turons ou dos romanos.
Área de escavação arqueológica
A Butte de César é uma elevação de terra (butte) de forma circular, de 60 metros de diâmetro e 6 metros de altura, A origem dela ainda é misteriosa, mas acredita-se que foi um monumento funerário (tumulus), em torno do qual se desenvolveu aqui a cidade gaulesa Ambacia (antes da chegada dos romanos). A conclusão foi essa porque a Butte se parece com tumbas de príncipes gauleses do século V a.C. descobertas antes.
Local onde ficava a Butte de César
O nome César teria vindo de uma crônica medieval do século XII, escrita por um monge da Abadia de Marmoutier, ali perto de Amboise. Segundo o texto, a área da Butte de César teria acolhido as tropas de César durante a Guerra da Gália, quando os romanos conquistaram esta região.
Ambacia Oppidum – Oppidum é o nome que se dá às cidades gaulesas e Ambacia é o antigo nome de Amboise. O centro desta cidade se desenvolveu em torno da Butte de César e, de acordo com escavações recentes, era uma das mais importantes cidades do povo turon, povo gaulês que habitava a região. A cidade era protegida por uma muralha, cujos vestígios estão sendo descobertos pelos arqueólogos, que era uma das características das cidades gaulesas da época. Podemos visitar livremente esta área. Embora ainda não tenha muita coisa visível, há várias placas explicando a história do lugar, as escavações e as descobertas. É bem interessante.
Vestígio da muralha antigaDetalhe da muralha
25) Maisons troglodytes
Voltando a falar de casas históricas, não dá para não mencionar as casas trogloditas, um tipo de habitação bem característico da região. São casas abertas na falésia de calcário que bordam os vales do rio Loire e do Amasse. Geralmente, era a população pobre que morava aqui, pois não tinha meios e materiais para construir uma residência convencional.
As fachadas destas casas se voltam para o sul e a sala de principal, logo após a entrada, é o único cômodo que beneficia da luz solar. Os outros cômodos são “cegos”. E se a família aumentasse, bastava uns golpes de picareta na falésia, que um novo cômodo era criado.
Sem aquecimento ou ar condicionado, a temperatura no interior das casas era quase constante, entre 10 e 13 graus. Em 1984, foram contabilizadas mais de 500 habitações trogloditas só em Amboise. Hoje, muitas delas se tornaram pousadas e outras foram fechadas por risco de desmoronamento nas falésias. A maioria delas está ao longo da rua Victor-Hugo, a rua que vai para o Château du Clos Lucé.
26) Passeios de trenzinho
Como praticamente toda cidade turística francesa, Amboise tem um trenzinho que percorre o centro histórico e as principais atrações, com explicações sobre cada lugar e sua história. É uma boa maneira de se localizar na cidade e também de descansar. Sempre faço esse tipo de passeio e gosto muito. No caso de Amboise, o percurso dura em torno de uma hora e o embarque é realizado na Place Michel Debré, em frente ao castelo de Amboise.
Petit Train
De abril a outubro.
Horários: Abril, maio e outubro, todos os dias, às 14h, 15h, 16h e 17h. Aos sábados horários adicionais às 11h e 12h.
Junho e setembro, todos os dias, às 11h, 12h, 14h, 15h, 16h e 17h. Aos domingos, somente a partir do horário das 14h.
Julho e agosto, todos os dias, às 11h, 12h, 14h, 15h, 16h, 17h e 18h. Aos domingos, somente a partir do horário das 14h.
Preço: Adulto, 8 euros. Crianças de 3 a 12 anos e pessoas com mobilidade reduzida, 5 euros. Gratuito para crianças menores que 3 anos.
Para mais informações, veja aqui.
De dentro do trenzinho
27) Passeios no Loire
O rio Loire tem uma importância grande na história de Amboise e da França. Um passeio bem agradável é navegar por ele aprendendo sobre sua história, geografia, fauna e flora. É possível, inclusive, fazer esse passeio em barcos tradicionais da região, de fundo achatado, que permite a navegação mesmo quando o volume de água é pequeno.
O castelo de Amboise visto do barco
Há vários tipos de passeios, com duração e horários diversos. Eles podem sair de Amboise ou de outras cidades da região, como Chaumont-sur-Loire, por exemplo. Eu fiz o passeio de 1h30 em barco tradicional e saindo de Amboise. Vale muito a pena. Para saber mais sobre os tipos de passeios, veja este link
A ponte Marechal Leclerc e a Île d’Or vistas do barco
28) Passeios guiados
Uma outra maneira interessante de conhecer Amboise é através de uma visita guiada. Por ser uma cidade histórica, não faltam curiosidades e “causos” para descobrir aqui. O Office de Tourisme (escritório de turismo) de Amboise propõe ao longo do ano visitas guiadas sobre diversos temas e em vários idiomas. Eu sempre gosto de fazer uma dessas visitas quando chego a uma cidade. É um meio de descobrir a alma do lugar e me situar dentro dele. Mais informações sobre as visitas guiadas, veja o site do Office de Tourisme de Amboise e região.
29) A propriedades vitícolas e caves de Amboise
Além de todo seu lado histórico, Amboise é também conhecida pelos seus vinhos, que são ótimos. A apelação Touraine-Amboise designa os vinhos que são produzidos em Amboise e cidades próximas e se declina nas três cores – tinto, branco e rosé -, sendo o tinto o mais conceituado.
Então, visitando Amboise, podemos visitar os vinhedos e caves. Como, por exemplo, o Clos de la Richardière, que propõe uma visita histórica sobre o vinho com degustação (mais informações aqui). Já no centro da cidade estão as Caves Ambacia, que produzem várias apelações de vinhos da região, como Touraine-Amboise, Vouvray, Chinon, entre outros. A visita com guia especialista dura 1h30 e pode ser feita em inglês ou francês. Ela termina com uma degustação. Para saber mais, veja este site..
Mas há outras propriedades e caves em Amboise. Em breve, vou fazer um texto só sobre elas. Enquanto isso, para ter acesso a uma lista com os principais endereços, além de várias atividades ligadas ao vinho na cidade e arredores, basta clicar aqui
Caves Ambacia
30) Gastronomia
Em um país onde a gastronomia é forte, cada região é um tesouro a ser descoberto. E o Vale do Loire não é diferente. A região histórica na qual Amboise está inserida se chama Touraine e é conhecida por várias especialidades deliciosas. Encontramos aqui, por exemplo, o Sainte-Maure de Touraine, um queijo de cabra que tem o selo de “appellation d’origine contrôlée, AOP”, que garante a autenticidade do produto. Outra especialidade típica da região é conhecida como Rillettes de Tours. Na rillette, a carne é cozida lentamente na própria gordura do animal, depois amassada e temperada com sal e pimenta. Fica uma espécie de patê de carne desfiada.
Isso sem falar dos doces. Na cidade, há várias lojas de chocolates e outros doces. Podemos até ver como são fabricados vários deles. Na Maison Bigot, a mais famosa chocolateria de Amboise, há uma visita guiada-ateliê de 1h30 sobre a fabricação de chocolate, com degustação. Eu fiz e foi super legal. Para saber mais, confira aqui. O Office de Tourisme (escritório de turismo) da cidade tem várias opções de visitas guiadas enogastronômicas ao longo do ano. Para ficar por dentro das visitas do momento, acesse aqui.
Alguns ingredientes do ateliê de chocolate
E nem preciso falar que Amboise possui uma infinidade de bares, cafés, padarias e restaurantes para todos os bolsos. É muito bom, em qualquer hora do dia, sentar em um deles e degustar uma comida ou bebida, apreciando sem pressa o movimento da cidade ou do rio Loire.
31) Passeios de balão
Coloquei essa opção aqui no final, pois não é uma atividade barata, mesmo para quem ganha em euros. Mas, se você puder, faça. A região do Vale do Loire é uma das mais procuradas para voos panorâmicos de balão. Também não é para menos, pois lá do alto você vai ver um ou mais castelos, um mais lindo do que o outro. Vários desses passeios partem de Amboise e podem terminar com um piquenique em terra com produtos locais. Mais informações, olhe este link .
Balão passando pelo castelo de Amboise
32) Cicloturismo e trilhas
O Vale do Loire foi uma das primeiras regiões francesas a se render à bicicleta. Praticamente todos os castelos são acessíveis por ciclovias e elas estão em todos os lugares. É muito comum ver pessoas de todas as idades pilotando uma bicicleta, chegando ou saindo de Amboise. E as hospedagens possuem áreas para guardar a sua e algumas até oferecem ferramentas para eventuais reparações. Também é possível alugar uma bicicleta: você pode escolher alugar por horas, por dia, por semana ou até mesmo durante o tempo todo da sua estadia. Por toda a cidade, vemos as lojas que alugam e consertam bicicletas. E aqui neste link tem uma lista delas.
E claro que Amboise também tem várias trilhas, tanto para quem quer só permanecer na cidade quanto para quem vai para mais longe. Ela é cortada pela GR 3, que é a Grande randonnée des châteaux de la Loire (Grande trilha dos castelos do Loire, saiba mais aqui). Também uma das vias do Caminho de Santiago de Compostela (em francês Chemin de Saint-Jacques de Compostelle) passa por aqui. É a Via Turonensis, cujo itinerário pode ser conferido aqui.
Este sinal na árvore indica um percurso de Grande randonnée (Grande trilha)
O que não faltou neste texto foram dicas. Como visitei Amboise várias vezes, quis fazer um texto bem completo. Assim, se você escolher visitar a cidade, vai ter uma boa noção do que ela oferece e poderá fazer o que mais combina com você.
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Sou de São Paulo e moro em Paris desde 2010. Sou jornalista, formada pela Cásper Líbero. Aqui na França, me formei em História da Arte e Arqueologia na Université Paris X. Trabalho em todas essas áreas e também faço tradução, mas meu projeto mais importante é o Direto de Paris. Amo viajar, escrever, conhecer pessoas e ouvir histórias. Ah, e também sou louca por livros e animais.
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