As Florestas iluminadas no Jardin des Plantes, em Paris
January 5, 2024
Neste texto, vou falar de uma atração que visitei há pouco tempo: o festival de luz do Jardin des Plantes, em Paris.
Para começar, uma breve explicação do que é o Jardin des Plantes. Trata-se de um parque com quase 400 anos de história. Ele foi criado em 1636, no reinado de Louis XIII, e foi chamado de Jardin Royal des Plantes Médicinales (Jardim Real de Plantas Medicinais). Logo o lugar se torna um polo científico importante.
No começo do século XVIII, o foco nas plantas medicinais cede lugar à História Natural. E no final do mesmo século, com a chegada da Revolução Francesa, é criado o Muséum national d’Histoire naturelle, em 1793, com sede ali. Até hoje, o lugar é uma das atrações mais incríveis de Paris.
O inverno é uma época complicada por aqui. Não tanto pelo frio (a gente se acostuma), mas pela falta de luz. Há vários dias cinzentos e a duração do dia é pequena: No final de dezembro, por exemplo, o sol nasce quase nove horas da manhã e se põe às cinco da tarde.
Mas, felizmente, temos o Natal e, nesta época, a Cidade Luz fica linda e cheia de eventos, como os mercados de Natal e as atrações luminosas. Então, para reforçar a magia do período natalino e amenizar um pouco o inverno, o Jardin des Plantes acolhe um festival de luzes, que já se tornou tradicional e vai até janeiro.
A primeira edição, em 2018, teve como tema Espécies em vias de extinção. A segunda, em 2019, foi dedicada aos Oceanos. Em 2020, o tema foi a Evolução da vida; e a edição de 2022 se chamou Fauna Minúscula. Já este ano, o festival aborda as selvas, com o tema Jungle en voie d’illumination (tradução literal: Selva em processo de Iluminação).
É uma viagem ao mundo das florestas tropicais úmidas, com sua rica biodiversidade única. Na escuridão do Jardin des Plantes, as estruturas luminosas dos animais e plantas fazem um contraste lindo. É um percurso que alia a magia das luzes, o aprendizado em História Natural e a sensibilização para a proteção dos ecossistemas em todo o mundo.
A pantera nebulosa, da Ásia
São mostradas algumas florestas tropicais de quatro continentes: Ásia, Oceania, América do Sul e África. Afinal, são as florestas tropicais que abrigam mais da metade das espécies animais e vegetais conhecidas do planeta. O percurso da visita é pensado para oferecer um resumo desta biodiversidade, com diversas informações sobre cada floresta e as espécies animais e vegetais mostradas, inclusive, informando se elas estão ou não em extinção.
Os nossos simpáticos bichos-preguiça (Amazônia)
Começamos o passeio pela Ásia. Vemos elefantes, tigres, macacos, pitons (serpentes), pássaros e insetos locais, etc. Duas espécies curiosas são: o dhole, o cachorro selvagem da Ásia, e o gato-ferrugem, o menor felino do mundo, encontrado apenas na Índia e no Sri-Lanka. Também aprendemos sobre algumas espécies vegetais das florestas tropicais do continente. Os destaques aqui são a Índia e o Sudeste Asiático.
À esquerda, os dholeGato-ferrugem
Depois, visitamos a Nova Guiné, uma ilha situada ao norte da Austrália, que faz parte da Ásia e da Oceania (uma parte dela pertence à Indonésia e a outra é da Papua-Nova Guiné). Nesta parte, podemos ver pássaros belíssimos, como as aves-do-paraíso, por exemplo. Há, também, o casuar-de-capacete, bem curioso. Nesta espécie de ave, é a fêmea que é mais colorida e que se reproduz com vários machos. E é o macho que choca os ovos e cuida dos filhotes (gostei!).
Casuar-de-capaceteAve-do-paraíso
Depois, vamos para a nossa querida Floresta Amazônica. Aqui são mostrados espécies animais e vegetais de várias áreas da floresta: Vemos as preguiças, os jacarés-de-óculos, a onça-pintada, o tatu gigante, tamanduá, tucanos, papagaios, araras, colibris, rãs e por aí vai. E aprendemos que a anaconda (a cobra gigante, para quem não sabe) não está em extinção. Na parte das plantas, destaque para a vitória-régia.
Tatu giganteAs araras
Uma das curiosidades desta área é que atravessamos uma floresta de wapa (não achei o nome em português), árvore típica da Floresta Amazônica.
Agora é a vez da África. Um dos países mostrados é Madagascar. Dentre os animais, vemos o aie-aie, um tipo de macaco que só existe no país. Outro animal que está presente no percurso e que também só existe em Madagascar são os lêmures.
Aie-aieLêmure
Depois, há a diversidade da África Equatorial (área na África Central, perto da linha do Equador). Então, aqui não vemos os animais de savanas e sim das florestas tropicais (que é o tema do festival). Encontramos o crocodilo-anão, que mede menos de 2 metros; o ocapi, um mamífero que lembra a zebra e a girafa ao mesmo tempo; alguns insetos e, é claro, os gorilas.
Crocodilo-anãoOs ocapis
As estruturas de animais e plantas que vemos no percurso podem atingir 15 metros de altura. Algumas são animadas, o que torna o passeio ainda mais legal. Essas estruturas e as informações sobre as florestas e seus habitantes foram concebidas em ligação com os cientistas do Museum. As lâmpadas usadas são LED, que têm um consumo bem menor. A produção das estruturas é em parceria com a China Light Festival, uma empresa chinesa de Sichuan, que utiliza o conhecimento das lanternas tradicionais.
Termites. Há quase 3 mil espécies deste tipo de inseto. No Brasil, há os cupinsPerioptalmo, peixe-anfíbio que vive nas costas tropicais da Ásia e África.
No meio do percurso, há um espaço com quiosques para refeições rápidas. Eles vendem crêpes, churros, pretzels, bebidas, chocolates quentes, etc.
Jungle en voie d’illumination – Jardin des Plantes
Place Valhubert
75005 Paris
Metrô: Gare d’Austerlitz – linha 10 (a linha 5 não está parando nesta estação)
Quai de la Rapée – linha 5
Saint-Marcel – linha 5
Censier Daubenton – linha 7.
Jussieu – linha 10.
De 22 de novembro de 2023 a 21 de janeiro de 2024
Horários: de quarta a domingo, das 18h às 22h (última entrada às 21h).
Tarifas: 18 euros. Reduzida: 15 euros (crianças de 3 a 12 anos). Tarifa tribu: 60 euros (2 adultos e 2 crianças de 3 a 12 anos). Gratuito para crianças menores de 3 anos.
Atenção: Não tem bilheteria no local para o evento, tem que comprar por este site
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Sou de São Paulo e moro em Paris desde 2010. Sou jornalista, formada pela Cásper Líbero. Aqui na França, me formei em História da Arte e Arqueologia na Université Paris X. Trabalho em todas essas áreas e também faço tradução, mas meu projeto mais importante é o Direto de Paris. Amo viajar, escrever, conhecer pessoas e ouvir histórias. Ah, e também sou louca por livros e animais.
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